Moradora compra 20 kg de sal grosso para tentar combater infestação de caramujos

Moradores da Rua Coronel José Fialho, no Bairro Gurupi, Zona Sudeste de Teresina, reclamam de uma infestação de caramujos africanos, que dura aproximadamente um mês. A preocupação é que os animais transmitam doenças como a esquistossomose e a meningite eosinofílica.

Segundo a dona de casa Maria da Conceição Oliveira, os caramujos costumam aparecer no local durante a noite e ficam até o início da manhã.

“A rua está infestada de caramujos, cada um maior que outro. De manhã, por volta das 5h, a rua fica infestada, difícil até da gente fazer caminhada. À noite, a partir das 18h, muito, muito mesmo, uma coisa horrível. Eu virei uma catadora de caramujo”, comentou.

Em entrevista à TV Clube, o biólogo Francisco Soares informou que, inicialmente, os animais foram trazidos ao Brasil para uso na culinária. De acordo com ele, a espécie é fácil reprodução.

“Ele foi introduzido no Brasil por criadores de escargot, como uma moda de se alimentar com caramujos. Algumas das matrizes foram soltas na natureza. Como é um animal exótico, não é da fauna brasileira, ele não tem predadores e nem parasitas naturais. Por isso se expandiu rapidamente”, explicou.

Maria da Conceição relatou que, na tentativa de afastar os caramujos, já espalhou 20 quilos de sal grosso nas calçadas das residências da rua. A substância provoca a desidratação e morte dos animais.

A mulher, que reside no local há 10 anos, declarou que nunca viu situação parecida.

“Ontem eu catei meio balde de caramujos. O desespero tá tão grande que peguei algumas informações na internet e comprei sal grosso. Comecei a colocar na rua, pra que a gente tenha paz pelo menos pra andar na rua quando quiser”, revelou a dona de casa.

Para outro morador, o empresário Francisco Canuto, terrenos baldios que acumulam mato e lixo, contribuem com o surgimento em massa dos animais, pois eles se alimentam de resíduos orgânicos, como restos de comida, ração animal e fezes.


“Tudo isso tá acontecendo de uma maneira que ninguém toma providências, as autoridades e a gente como morador é que está prejudicado. A gente tem crianças, idosos, cadeirantes, a gente fica muito preocupado, é um caso de saúde pública”, disse.