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Dona de casa morta pelo ex-marido relatou agressões físicas, psicológicas, patrimoniais e sexuais.

No pedido da medida protetiva, a Defensoria Pública afirmou que, durante o casamento, que durou 23 anos, entre 1984 e 2007, Marilena sofreu agressões físicas, morais, psicológicas, patrimoniais e sexuais.


Caso é investigado pela delegacia de Feminicídio, no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Teresina — Foto: Andrê Nascimento/ g1 Piauí


A dona de casa Marilena Pereira da Rocha, de 59 anos, que morreu na segunda-feira (31) após ser baleada pelo ex-marido, o policial militar Pedro José de Oliveira, de 62 anos, tinha desde 2017 medidas protetivas concedidas pela Justiça contra ele. Pedro José foi preso em flagrante pelo assassinato da ex-esposa.

A medida protetiva, direito solicitado por mulheres vítima de violência, determina que o agressor mantenha distância da vítima e da residência dela, assim como dos familiares da vítima, ou de fazer contato por meios de comunicação.


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A primeira medida protetiva contra Pedro José Oliveira foi solicitada por Marilena em 30 de maio de 2017, através da Defensoria Pública do Piauí. O pedido foi acatado pela Justiça em junho do mesmo ano.


No pedido, a Defensoria Pública afirmou que, durante o casamento dos dois, que durou 23 anos, entre 1984 e 2007, Marilena sofreu agressões físicas, morais, psicológicas, patrimoniais e sexuais por parte do então marido. Foram anos de agressões, humilhações, bens quebrados e ameaças de morte com o uso da arma de fogo do policial.


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Local onde a mulher recebeu os tiros no bairro Mocambinho em Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1


Em fevereiro de 2017, Marilena procurou a Delegacia Especializada da Mulher Norte (DEAM) para denunciar que o ex-marido a estaria caluniando e a xingando para pessoas nos arredores da casa dela.


"O agressor, rotineiramente, dirige-se aos arredores da casa da sra. Marilena para proferir calúnias e difamações", escreveu a Defensoria.


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Disputa judicial por pensão para os filhos


O casal tinha ainda na Justiça uma disputa para que Pedro pagasse pensão alimentícia aos cinco filhos que tinha com Marilena.

No mesmo processo, a defesa de Pedro José pediu a anulação das acusações, alegando que Marilena agiria por vingança, por Pedro ter conseguido na Justiça a redução do valor da pensão. Uma das filhas do casal relatou ao g1, inclusive, que o pai nunca pagou os valores.

Além disso, o valor da pensão, fixado em 2008 em 30% do salário do policial, já havia sido reduzido, em 2014, para 20%. Em 2017, o policial conseguiu nova redução, para 11% do valor do salário, mas em data posterior às denúncias, em setembro de 2017.


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Quatros anos depois, em 2021, Marilena decidiu fazer um novo pedido de medidas protetivas, motivado por novas calúnias que o policial estaria fazendo contra ela. O pedido foi acatado pela Justiça em agosto.

Em 10 de novembro, Marilena pediu a renovação das medidas, que tinham prazo de 3 meses. Pedro José assinou a decisão em 9 de dezembro de 2021.


Feminicídio


Ela passava de bicicleta, em direção à uma clínica de fisioterapia que frequentava diariamente, quando um homem parou o carro, a derrubou no chão e fez os disparos. A própria vítima relatou que seria seu ex-marido. Em 31 de janeiro, Marilena faleceu.




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